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"A maior covardia de um homem é despertar o amor de uma mulher sem ter a intenção de amá-la" (BOB MARLEY)
Seja Original! Seja Você Mesma! Não deixe que ninguém ofusque seu brilho, porque ele é seu e interessa só a você, e a mais ninguém! Pense com o coração, não com a cabeça!
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NOTÍCIAS!!!
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O filme do RBD está cada vez mais perto
Está cada vez mais perto a realização do filme do RBD, no entanto, tudo está sendo feito com calma para poder apresentar um produto de qualidade à altura dos trabalhos anteriores do grupo.
"Está na etapa de escrever o roteiro e isto leva muito tempo, pois não é algo que possa improvisar e fazer de uma maneira fácil. No cinema tudo deve estar feito cuidadosamente e isso vai acontecer este ano", disse Pedro Damián, produtor do grupo.
Sobre a data de filmagem ainda não há nada certo, mas o grupo já está se preparando para começar o mais antes possível.
"Vamos fazer no final deste ano. Ainda não há data, vai ser algo muito bom. Todas as pessoas vão se interessar muito pois vai ser algo muito real", assegurou Dulce María.
Sobre as locações, ainda estão para ser definidas, no entanto querem promover o México.
"Temos falado com Pedro Damián de algo incrível que tomara que sim, porque seria para mim um lugar que pessoalmente é meu local favorito. Tomara que seja possível, será no México e vai ser muito patriota, algo tão importante, como nosso filme do México para o mundo", comentou Anahí.
Fonte:: DulceMaria
"Está na etapa de escrever o roteiro e isto leva muito tempo, pois não é algo que possa improvisar e fazer de uma maneira fácil. No cinema tudo deve estar feito cuidadosamente e isso vai acontecer este ano", disse Pedro Damián, produtor do grupo.
Sobre a data de filmagem ainda não há nada certo, mas o grupo já está se preparando para começar o mais antes possível.
"Vamos fazer no final deste ano. Ainda não há data, vai ser algo muito bom. Todas as pessoas vão se interessar muito pois vai ser algo muito real", assegurou Dulce María.
Sobre as locações, ainda estão para ser definidas, no entanto querem promover o México.
"Temos falado com Pedro Damián de algo incrível que tomara que sim, porque seria para mim um lugar que pessoalmente é meu local favorito. Tomara que seja possível, será no México e vai ser muito patriota, algo tão importante, como nosso filme do México para o mundo", comentou Anahí.
Fonte:: DulceMaria
Dulce María confirma seu regresso às novelas
Confirmado, em alguns meses Pedro Damián começará as gravações de sua nova novela, o criador do RBD quer Dulce María como protagonista da história.
A intérprete de "No pares" falou com exclusividade sobre o que seria sua volta às novelas: Bom, para começar eu adoro o Pedro e o admiro muito, e adoraria voltar a trabalhar com ele. De verdade, é como uma família e acho que tudo o que Pedro faz é muito criativo, coisas muito reais e muito diferentes que deixam uma mensagem. Me encantaria, depende das datas e de como as coisas aconteçam".
Dulce está segura de que poderia organizar perfeitamente seus tempos como integrante do RBD e como protagonista desta nova história.
"Isso seria muito bom, porque como você diz, eles sabem como arranjar as datas e tudo acontece maravilhoso, eu estou feliz da vida de voltar a trabalhar. Já tem um bom tempo que não estou em novelas e acho que vai ser incrível".
A cantora não conhece grandes detalhes do projeto: "Não sei muito da história, Pedro me comentou em algum momento, e comentamos que seria uma boa opção, mas não sei mais. Não sei nada da história, nem quando começamos, acho que nem ele mesmo. Ele já está checando tudo isso, mas já tem o projeto e me encantaria", finalizou Dulce María.
Fonte:: DulceMaria
A intérprete de "No pares" falou com exclusividade sobre o que seria sua volta às novelas: Bom, para começar eu adoro o Pedro e o admiro muito, e adoraria voltar a trabalhar com ele. De verdade, é como uma família e acho que tudo o que Pedro faz é muito criativo, coisas muito reais e muito diferentes que deixam uma mensagem. Me encantaria, depende das datas e de como as coisas aconteçam".
Dulce está segura de que poderia organizar perfeitamente seus tempos como integrante do RBD e como protagonista desta nova história.
"Isso seria muito bom, porque como você diz, eles sabem como arranjar as datas e tudo acontece maravilhoso, eu estou feliz da vida de voltar a trabalhar. Já tem um bom tempo que não estou em novelas e acho que vai ser incrível".
A cantora não conhece grandes detalhes do projeto: "Não sei muito da história, Pedro me comentou em algum momento, e comentamos que seria uma boa opção, mas não sei mais. Não sei nada da história, nem quando começamos, acho que nem ele mesmo. Ele já está checando tudo isso, mas já tem o projeto e me encantaria", finalizou Dulce María.
Fonte:: DulceMaria
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WEB NOVELAS!!!
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NOME: “Amanhecer Contigo”
AUTORA: Linda Howard
Capítulo 7
Poncho: Dulce, posso falar com você? Em particular, por favor — Alfonso tinha o semblante rígido de tensão, e Dulce o olhou com estranheza, perguntando-se à que se devia a amargura que refletia seu rosto.
Olhou mais além dele, para a porta do escritório, e ele leu seu pensamento.
Poncho: Ela está jogando xadrez com Chris — disse trabalhosamente e, metendo as mãos no bolso, se aproximou das portas que davam ao pátio.
Dulce vacilou só um momento e logo o seguiu. Não queria que falassem deles, mas por outro lado sabia que Alfonso não tentaria nada com ela, e odiava sentir-se culpada por ser amável com ele.
Anahí continuava se esforçando para ser sua amiga, e Dulce havia descoberto que aquela jovem era muito querida. Era como Chris, possuía sua mesma franqueza, sua disposição para enfrentar desafios. Às vezes Dulce tinha a inquietante impressão de que Anahí podia confrontá-la melhor por baixo do disfarce de sua amizade, mas parecia cada vez mais que aquela idéia procedia de sua própria desconfiança e não de um ato premeditado de Anahí.
Dulce: As coisas não vão bem? — perguntou a Alfonso com calma.
Ele soltou uma risada amarga e esfregou a nuca.
Poncho: Você já sabe que não. Não sei o porquê — disse cansadamente — Tenho tentado, mas tenho a impressão de que ela nunca vai me querer como quer Chris, que nunca serei para ela tão importante como ele, e isso faz que quase me ponha doente ao tocá-la.
Dulce escolheu suas palavras com sumo cuidado, como se escolhesse flores silvestres.
Dulce: É lógico que você está um pouco ressentido. Eu vejo estas coisas constantemente, Alfonso. Um acidente assim sacode a todas as pessoas relacionadas ao paciente. Se é uma criança que fica ferida, pode produzir rancores entre os pais, e entre os outros filhos. Em circunstâncias como estas, uma pessoa somente leva a parte do leão enquanto se refere às atenções, e aos demais não lhes agrada.
Alfonso curvou para cima um canto de sua boca severa.
Poncho: Faz com que me pareça tão mesquinho e egoísta... — disse.
Poncho: Faz com que me pareça tão mesquinho e egoísta... — disse.
Dulce: Não é isso. É uma reação humana — sua voz estava carregada de afeto e compaixão, e ele passeou o olhar sobre seu terno rosto — As coisas vão melhorar — assegurou-lhe.
Poncho: Tão cedo como para salvar meu casamento? — perguntou ele com esforço — Às vezes quase a odeio, e é muito estranho, porque a odeio por não me querer como eu a quero.
Dulce: Por que você joga nela toda a culpa? — disse Dulce — Por que não dirige parte desse ressentimento contra Chris? Por que não o odeia por monopolizar sua atenção?
Ele começou a rir.
Poncho: Porque não estou apaixonado por ele — respondeu — Não me importa a quem ele dê atenção..., a menos que ele machuque você.
Ela se estremeceu, assombrada, e abriu arregalou os olhos. Na penumbra do crepúsculo reluziam como água cristalina, tão profundos e insondáveis como os de um gato.
Dulce: Como poderia me machucar? — perguntou com voz rouca.
Poncho: Fazendo com que você se apaixone por ele — Alfonso era muito astuto — Notei que você mudou nestas duas últimas semanas. Antes era muito bela, e Deus o sabe, mas agora é arrebatadora. Resplandece. Essa roupa nova, seu olhar, até sua forma de caminhar..., tudo se transformou. Ele precisa de você agora, por isso não pensa em mais ninguém. Mas o que acontecerá depois? Quando volte a caminhar, continuará olhando como se tivesse os olhos pregados em você?
Dulce: Já tive outros pacientes que se apaixonaram por mim — respondeu ela.
Poncho: Não duvido, mas você já se apaixonou antes por um paciente? — perguntou implacavelmente.
Dulce: Não estou apaixonada por ele — Dulce se sentiu na obrigação de negar, de se afastar daquela idéia.
Não podia estar apaixonada por Chris.
Poncho: Reconheço os sintomas — disse Alfonso.
Apesar de que acabava sendo embaraçoso falar de Anahí, Dulce preferia infinitamente fazer isso a falar de Chris, e reagiu bruscamente.
Dulce: Não construí nenhum castelo de areia — assegurou-lhe, fechando os punhos para não tremer — Quando Chris puder caminhar, passarei para outro trabalho. Sei disso. Sei desde o princípio. Sempre estabeleço uma relação pessoal com meus pacientes — acrescentou, rindo um pouco. Era só isso, a atenção normal que prestava a um paciente.
Alfonso moveu a cabeça de um lado a outro, divertido.
Dulce: Você vê muito claramente os demais — disse — mas está cega consigo mesma.
O velho pânico, familiar na forma mas estranho em sua essência, contraiu-lhe o estômago. Cega. Essa palavra, a palavra que Alfonso havia usado. Não, pensou dolorosamente. Não estava cega, mas se empenhava em não ver.
Havia levantado um muro entre si mesma e tudo o que a ameaçava; sabia que estava ali, mas enquanto não tivesse que olhá-lo, podia se esquecer dele. Chris havia forçado-a em duas ocasiões a afrontar o passado que havia deixado para trás, sem se dar conta do suplício que lhe havia custado em termos de dor.
Agora Alfonso, ainda que utilizasse sua mente analítica em lugar do instinto visceral de Chris, tentava fazer o mesmo.
Dulce: Não construí nenhum castelo de areia — assegurou-lhe, fechando os punhos para não tremer — Quando Chris puder caminhar, passarei para outro trabalho. Sei disso. Sei desde o princípio. Sempre estabeleço uma relação pessoal com meus pacientes — acrescentou, rindo um pouco. Era só isso, a atenção normal que prestava a um paciente.
Alfonso moveu a cabeça de um lado a outro, divertido.
Dulce: Você vê muito claramente os demais — disse — mas está cega consigo mesma.
O velho pânico, familiar na forma mas estranho em sua essência, contraiu-lhe o estômago. Cega. Essa palavra, a palavra que Alfonso havia usado. Não, pensou dolorosamente. Não estava cega, mas se empenhava em não ver.
Havia levantado um muro entre si mesma e tudo o que a ameaçava; sabia que estava ali, mas enquanto não tivesse que olhá-lo, podia se esquecer dele. Chris havia forçado-a em duas ocasiões a afrontar o passado que havia deixado para trás, sem se dar conta do suplício que lhe havia custado em termos de dor.
Agora Alfonso, ainda que utilizasse sua mente analítica em lugar do instinto visceral de Chris, tentava fazer o mesmo.
Dulce: Não estou cega — sussurrou — Sei quem sou, e o que sou. Conheço minhas limitações. Aprendi-as da maneira mais cruel.
Poncho: Está equivocada — disse ele com expressão pensativa — Só conhece as limitações que marcaram os demais.
Aquela idéia era tão certa, tinha tanto estímulo, que Dulce quase teve que se afastar de um salto dela; apartou-se instintivamente, ergueu-se e procurou organizar suas forças.
Dulce: Pensei que você quisesse falar de Anahí — recordou-o com calma para fazê-lo compreender que não estava disposta a continuar falando de si mesma.
Poncho: Sim, mas pensando bem prefiro não te incomodar com isso. Você já tem muitas coisas na cabeça. Afinal, Anahí e eu resolveremos sozinhos nossas diferenças, assim que é absurdo pedir conselho aos outros
Retornaram juntos à casa e entraram no escritório.
Anahí estava sentada de costas para eles, mas adivinharam por sua postura a expressão de seu rosto. Odiava perder, e vertia todas suas energias em ganhar de Chris. Ainda que jogasse bem o xadrez, Chris jogava melhor. Ficava louca de alegria quando conseguia vencê-lo.
Chris levantou a vista quando entraram e uma expressão dura e decidida cobriu seu rosto como uma máscara.
Seus olhos esverdeados ficaram pequeninos.
Mais tarde, essa noite, quando Dulce se assomou ao seu quarto para desejar-lhe boa noite, ele disse com voz firme:
Chris: Dul, o casamento de Anahí está por um fim. Te advirto: não faça nada para romper esse fio. Minha irmã quer Alfonso. Perdê-lo a mataria.
Dulce: Eu não sou uma mulher de rua, nem saio por aí destroçando lares — replicou ela, ofendida. A raiva corou suas bochechas enquanto olhava-o fixamente.
Chris havia deixado acesa a lâmpada; era evidente que estava esperando que ela entrasse para dizer boa noite, como fazia sempre, para demonstrar a ela como estava zangado.
O assombro e a dor se mesclaram com a fúria até fazê-la tremer por dentro. Como podia pensar sequer...?
Dulce: Não sou como minha mãe — espetou-lhe de repente com voz crispada, e dando meia volta fechou a porta atrás dela e correu para seu quarto apesar de que ouviu que Chris a chamava.
Estava doída e furiosa, mas ainda assim seus anos de autodisciplina permitiram-lhe dormir sem sonhar.
Horas depois, quando despertou, justo antes que tocasse o despertador, se sentia melhor. Então franziu a esta.
Tinha a impressão de que seu subconsciente podia ouvir o eco de seu nome. Se sentou e rodou a cabeça a mesmo tempo que aguçava o ouvido.
Chris: Dul! Maldita seja!
Levava semanas ouvindo aquela deixa de sua voz quando a chamava, e compreendeu no mesmo instante que ele estava sofrendo.
Correu ao seu quarto sem por o roupão.
Dulce: Não sou como minha mãe — espetou-lhe de repente com voz crispada, e dando meia volta fechou a porta atrás dela e correu para seu quarto apesar de que ouviu que Chris a chamava.
Estava doída e furiosa, mas ainda assim seus anos de autodisciplina permitiram-lhe dormir sem sonhar.
Horas depois, quando despertou, justo antes que tocasse o despertador, se sentia melhor. Então franziu a esta.
Tinha a impressão de que seu subconsciente podia ouvir o eco de seu nome. Se sentou e rodou a cabeça a mesmo tempo que aguçava o ouvido.
Chris: Dul! Maldita seja!
Levava semanas ouvindo aquela deixa de sua voz quando a chamava, e compreendeu no mesmo instante que ele estava sofrendo.
Correu ao seu quarto sem por o roupão.
Acendeu a luz.
Chris estava sentado na cama, esfregando a panturrilha esquerda. Tinha o rosto contraído em uma careta de dor.
Chris: O pé — disse com os dentes apertados.
Dulce agarrou seu pé e obrigou aos dedos a recuperar sua posição, afundando os polegares na planta e aplicando-lhe uma massagem.
Ele se recostou no travesseiro. Respirava com ânsia, e seu subia e descia rapidamente.
Dulce: Não está acontecendo nada — murmurou ela, e deslizou as mãos até sua panturrilha.
Se concentrou em sua perna, alheia ao olhar fixo de Chris.
A cabo de uns minutos esticou-lhe a perna, deu-lhe umas palmadinhas no tornozelo e cobriu-as com o lençol.
Dulce: Pronto — disse com um sorriso a tempo que levantava o olhar, mas seu sorriso se dissipou quando se topou com seus olhos.
Aqueles olhos esverdeados eram tão bravos e atraentes como a esmeralda, e Dulce se sentiu desfalecer ao encontrar-se de frente a seu olhar. Entreabriu os lábios suaves.
Os olhos de Chris deslizaram lentamente para baixo, e ela cobrou rapidamente a consciência de que seus seios se apertavam contra o tecido quase transparente da camisola.
Um palpitar nos mamilos a fez temer que se tivessem endurecido, mas não se atreveu a olhar para baixo para confirmar. Suas camisolas novas não ocultavam grande coisa; simplesmente, a protegiam.
De repente não pôde suportar a força de seu olhar e afastou os olhos, deixando cair os cílios densos para ocultar seus pensamentos.
O corpo de Chris ficava em seu campo de visão, e bruscamente seus olhos se dilataram. Esteve a ponto de proferir um gemido, mas se conteu no último segundo.
Esqueceu o muito que deixava entrever sua camisola e se levantou repentinamente.
Havia conseguido seu propósito, mas não se sentia envaidecida por isso; se sentia perplexa, tinha a boca seca e o sangue lhe corria a toda velocidade pelas veias.
Tragou saliva e sua voz soou muito rouca como para parecer despreocupada quando disse:
Dulce: Pensei que você tivesse dito que era impotente.
Chris estava sentado na cama, esfregando a panturrilha esquerda. Tinha o rosto contraído em uma careta de dor.
Chris: O pé — disse com os dentes apertados.
Dulce agarrou seu pé e obrigou aos dedos a recuperar sua posição, afundando os polegares na planta e aplicando-lhe uma massagem.
Ele se recostou no travesseiro. Respirava com ânsia, e seu subia e descia rapidamente.
Dulce: Não está acontecendo nada — murmurou ela, e deslizou as mãos até sua panturrilha.
Se concentrou em sua perna, alheia ao olhar fixo de Chris.
A cabo de uns minutos esticou-lhe a perna, deu-lhe umas palmadinhas no tornozelo e cobriu-as com o lençol.
Dulce: Pronto — disse com um sorriso a tempo que levantava o olhar, mas seu sorriso se dissipou quando se topou com seus olhos.
Aqueles olhos esverdeados eram tão bravos e atraentes como a esmeralda, e Dulce se sentiu desfalecer ao encontrar-se de frente a seu olhar. Entreabriu os lábios suaves.
Os olhos de Chris deslizaram lentamente para baixo, e ela cobrou rapidamente a consciência de que seus seios se apertavam contra o tecido quase transparente da camisola.
Um palpitar nos mamilos a fez temer que se tivessem endurecido, mas não se atreveu a olhar para baixo para confirmar. Suas camisolas novas não ocultavam grande coisa; simplesmente, a protegiam.
De repente não pôde suportar a força de seu olhar e afastou os olhos, deixando cair os cílios densos para ocultar seus pensamentos.
O corpo de Chris ficava em seu campo de visão, e bruscamente seus olhos se dilataram. Esteve a ponto de proferir um gemido, mas se conteu no último segundo.
Esqueceu o muito que deixava entrever sua camisola e se levantou repentinamente.
Havia conseguido seu propósito, mas não se sentia envaidecida por isso; se sentia perplexa, tinha a boca seca e o sangue lhe corria a toda velocidade pelas veias.
Tragou saliva e sua voz soou muito rouca como para parecer despreocupada quando disse:
Dulce: Pensei que você tivesse dito que era impotente.
Passou um momento antes que Chris compreendesse o que ela havia dito.
Parecia tão perplexo como ela.
Depois de um instante baixou o olhar. Apertou a mandíbula e soltou uma grosseria.
Um rubor ardente cobriu de golpe o rosto de Dulce. Era ridículo ficar ali pasmada, mas não podia se mover.
Estava fascinada, pensou, completamente aturdida por sua própria reação, ou melhor dizendo, pela falta dela.
Tão fascinada como diante de uma cobra, e essa era uma semelhança freudiana como não havia outra.
Chris: Devo ser adivinho — sussurrou ele com voz rouca — Estava pensando que essa camisolinha excitaria até um morto.
Parecia tão perplexo como ela.
Depois de um instante baixou o olhar. Apertou a mandíbula e soltou uma grosseria.
Um rubor ardente cobriu de golpe o rosto de Dulce. Era ridículo ficar ali pasmada, mas não podia se mover.
Estava fascinada, pensou, completamente aturdida por sua própria reação, ou melhor dizendo, pela falta dela.
Tão fascinada como diante de uma cobra, e essa era uma semelhança freudiana como não havia outra.
Chris: Devo ser adivinho — sussurrou ele com voz rouca — Estava pensando que essa camisolinha excitaria até um morto.
Dulce nem sequer podia sorrir. De repente, sem embargo, se sentiu capaz de se mover e saiu do quarto correndo.
Seguia notando aquela inquietante secura na boca enquanto se vestia com sua roupa velha, em lugar de por a que acabava de comprar. Já não havia necessidade de se vestir sedutoramente; Chris havia superado aquele obstáculo, e ela sabia que não devia brincar com fogo.
O único problema era, pensou na medida em que passavam os dias, que Chris não parecia notar que havia voltado a usar sua roupa velha e suas recatadas camisolas. Não dizia nada, mas quando estavam juntos Dulce notava em todo momento o fogo de seu olhar cravado nela.
Durante a reabilitação a tocava constantemente, e pouco a pouco ela se acostumou a que ele lhe acariciasse a perna enquanto ela lhe dava uma massagem, ou a freqüência com a qual seus corpos se esfregavam quando estavam nadando.
Ele pôde se sustentar de pé muito antes do que esperava, usando as mãos. Se desequilibrava um momento, mas suas pernas agüentavam e em seguida recuperava o equilíbrio. Decidido a deixar de depender da cadeira de rodas, se esforçava mais que qualquer paciente que Dulce tivesse tido antes. Cada noite pagava seu empenho com dolorosas cãibras, mas não diminuía o ritmo que ele mesmo marcava.
Dulce já não organizava sua terapia; Chris estabelecia suas próprias exigências. A única coisa que ela podia fazer era tentar impedir que se machucasse, e aliviar seus músculos ao final de cada exercício com massagens e sessões na banheira de hidromassagem.
Seguia notando aquela inquietante secura na boca enquanto se vestia com sua roupa velha, em lugar de por a que acabava de comprar. Já não havia necessidade de se vestir sedutoramente; Chris havia superado aquele obstáculo, e ela sabia que não devia brincar com fogo.
O único problema era, pensou na medida em que passavam os dias, que Chris não parecia notar que havia voltado a usar sua roupa velha e suas recatadas camisolas. Não dizia nada, mas quando estavam juntos Dulce notava em todo momento o fogo de seu olhar cravado nela.
Durante a reabilitação a tocava constantemente, e pouco a pouco ela se acostumou a que ele lhe acariciasse a perna enquanto ela lhe dava uma massagem, ou a freqüência com a qual seus corpos se esfregavam quando estavam nadando.
Ele pôde se sustentar de pé muito antes do que esperava, usando as mãos. Se desequilibrava um momento, mas suas pernas agüentavam e em seguida recuperava o equilíbrio. Decidido a deixar de depender da cadeira de rodas, se esforçava mais que qualquer paciente que Dulce tivesse tido antes. Cada noite pagava seu empenho com dolorosas cãibras, mas não diminuía o ritmo que ele mesmo marcava.
Dulce já não organizava sua terapia; Chris estabelecia suas próprias exigências. A única coisa que ela podia fazer era tentar impedir que se machucasse, e aliviar seus músculos ao final de cada exercício com massagens e sessões na banheira de hidromassagem.
Às vezes ficava com um nó na garganta quando o via se esforçar demais, com os dentes apertados e os nervos do pescoço tensos pelo esforço. Aquilo acabaria logo, e ela passaria a outro paciente.
Chris era já um homem inteiramente distinto àquele que havia conhecido cinco meses atrás. Estava duro como uma rocha, moreno, e os músculos moldavam seu corpo fibroso. Havia recuperado seu peso normal e possivelmente havia ganhado algum quilo, mas era só músculos. Estava tão em forma como um atleta profissional.
Dulce não podia analisar as emociones que se apoderavam dela quando o observava. Orgulho, certamente; inclusive certa avidez possessiva. Mas havia também algo mais, algo que a fazia sentir languidez e calor. Ao mesmo tempo se sentia mais viva do que nunca.
Observava Chris e deixava-o tocá-la, e se sentia mais próxima dele do que jamais pensava ser possível. Conhecia àquele homem, conhecia seu orgulho feroz, a ousadia que o fazia rir do perigo e aceitar com prazer qualquer desafio. Conhecia sua inteligência incisiva e veloz, suas explosões de cólera, sua ternura. Conhecia seu sabor, a força de sua boca, o tato de seu cabelo e de sua pele por baixo de seus dedos titubeantes.
Chris estava se convertendo em uma parte de seu ser até o ponto de que, quando se permitia pensar nele, se assustava. Não podia permitir que aquilo acontecesse. Ele a necessitava cada vez menos, e um dia não muito distante regressaria a seu trabalho e ela iria embora.
Pela primeira vez, a idéia de se mudar lhe parecia penosa. Adorava a enorme e fresca fazenda, as suaves lajotas do chão, a extensão das paredes brancas. Os largos dias de verão que haviam passado com ele na piscina, as risadas que haviam compartilhado, as horas de trabalho, até o suor e as lágrimas, haviam forjado um vínculo que a unia a Chris de um modo que lhe parecia quase insuportável.
Chris era já um homem inteiramente distinto àquele que havia conhecido cinco meses atrás. Estava duro como uma rocha, moreno, e os músculos moldavam seu corpo fibroso. Havia recuperado seu peso normal e possivelmente havia ganhado algum quilo, mas era só músculos. Estava tão em forma como um atleta profissional.
Dulce não podia analisar as emociones que se apoderavam dela quando o observava. Orgulho, certamente; inclusive certa avidez possessiva. Mas havia também algo mais, algo que a fazia sentir languidez e calor. Ao mesmo tempo se sentia mais viva do que nunca.
Observava Chris e deixava-o tocá-la, e se sentia mais próxima dele do que jamais pensava ser possível. Conhecia àquele homem, conhecia seu orgulho feroz, a ousadia que o fazia rir do perigo e aceitar com prazer qualquer desafio. Conhecia sua inteligência incisiva e veloz, suas explosões de cólera, sua ternura. Conhecia seu sabor, a força de sua boca, o tato de seu cabelo e de sua pele por baixo de seus dedos titubeantes.
Chris estava se convertendo em uma parte de seu ser até o ponto de que, quando se permitia pensar nele, se assustava. Não podia permitir que aquilo acontecesse. Ele a necessitava cada vez menos, e um dia não muito distante regressaria a seu trabalho e ela iria embora.
Pela primeira vez, a idéia de se mudar lhe parecia penosa. Adorava a enorme e fresca fazenda, as suaves lajotas do chão, a extensão das paredes brancas. Os largos dias de verão que haviam passado com ele na piscina, as risadas que haviam compartilhado, as horas de trabalho, até o suor e as lágrimas, haviam forjado um vínculo que a unia a Chris de um modo que lhe parecia quase insuportável.
Levava anos fazendo isso, dedicando-se de corpo e alma a seus pacientes... Não, pontualizou o lado mais honesto de sua consciência. Nunca antes se havia dedicado de corpo e alma a ninguém, só a Chris. E ele nunca saberia disso. Ela lhe diria adeus com um sorriso, se iria e ele retomaria de novo sua vida. Talvez pensasse alguma vez em sua fisioterapeuta, ou talvez não.
Os olhos de Dulce eram câmeras que registravam com avidez imagens de Chris para gravá-las permanentemente em seu cérebro, em seus sonhos, em cada fibra de seu ser.
Uma manhã entrou em seu quarto e encontrou-o deitado de costas, olhando os pés com feroz concentração.
Chris: Olha — resmungou, e ela olhou.
Tinha o rosto coberto de suor e os punhos fechados... e os dedos de seus pés se moviam.
Jogou a cabeça para trás e lançou a ela um sorriso cegante de júbilo, e a lente interna de Dulce disparou para preservar aquela recordação.
Uma noite, quando ganhou dele depois uma larga partida de xadrez, ele a olhou com cara de poucos amigos e se zangou tanto como quando descobriu que ela levantava pesos. Se risse ou franzisse a testa, era o mais belo que havia passado a Dulce, que o observava constantemente.
Era injusto que um homem possuísse em tal abundância os tesouros da virilidade e a tentasse com sua força e seu riso, quando ela sabia que este tesouro estava vedado para ela.
Seus olhos, de um azul etéreo, guardavam no fundo um mar de mudo sofrimento, e ainda que dominasse o olhar quando acreditava que ninguém mais estava olhando, em repouso seus traços refletiam a tristeza que sentia.
Os olhos de Dulce eram câmeras que registravam com avidez imagens de Chris para gravá-las permanentemente em seu cérebro, em seus sonhos, em cada fibra de seu ser.
Uma manhã entrou em seu quarto e encontrou-o deitado de costas, olhando os pés com feroz concentração.
Chris: Olha — resmungou, e ela olhou.
Tinha o rosto coberto de suor e os punhos fechados... e os dedos de seus pés se moviam.
Jogou a cabeça para trás e lançou a ela um sorriso cegante de júbilo, e a lente interna de Dulce disparou para preservar aquela recordação.
Uma noite, quando ganhou dele depois uma larga partida de xadrez, ele a olhou com cara de poucos amigos e se zangou tanto como quando descobriu que ela levantava pesos. Se risse ou franzisse a testa, era o mais belo que havia passado a Dulce, que o observava constantemente.
Era injusto que um homem possuísse em tal abundância os tesouros da virilidade e a tentasse com sua força e seu riso, quando ela sabia que este tesouro estava vedado para ela.
Seus olhos, de um azul etéreo, guardavam no fundo um mar de mudo sofrimento, e ainda que dominasse o olhar quando acreditava que ninguém mais estava olhando, em repouso seus traços refletiam a tristeza que sentia.
CONTINUA...
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NOME: “A Senhora do Lago”
AUTORA: Elizabeth Mayne!!
O vice-rei Christopher Uckermann experimentou um grande desapontamento ao deparar-se com a fortaleza. Dez anos antes, comprara as terras da colina de Uckermann do último proprietário, um cavaleiro do antigo clã de Leam. Na verdade, motivos para desapontar-se não lhe faltavam. Seu sobrinho, marido de Belinda, havia desaparecido e a construção do castelo, depois de uma década inteira, ainda estava longe de sua conclusão.
Além disso, o palácio revelou-se um abrigo ineficaz contra o sol abrasador. As paredes de pedra retinham calor, e a débil brisa que corria pelo pátio não circulava pelas câmaras. Claro que havia janelas e portas estrategicamente colocadas no projeto de Christopher, mas Belinda não as levara em consideração, alegando que assim procedera para proteger os tesouros enviados ao longo dos anos pelo vice-rei contra possíveis assaltos. “Não se pode confiar nesses escravos mercianos”, ela acrescentara.
Ele, porém, não deu muita atenção ao descaso da sobrinha em relação à planta original. Na verdade, não esperava muito de sua habilidade em administrar a construção. O que lhe ocupava a mente, naquele momento, era a reação de seus amigos e criados ao novo lar.
Eli franzia a testa cada vez que olhava para o rio barrento ou para a floresta. Christian também não escondia um certo desconforto em relação ao bosque, que se estendia por acres e acres, a perder de vista. Quanto às mulheres, Maite e Viviane quase desmaiavam em conseqüência do excessivo calor. Seu único consolo era a casa de banho.
Chris: Diga-me, qual foi a última vez que você viu seu marido? ¾ indagou, pondo de lado a taça de vinho aguado que a sobrinha mandara buscar na adega. - Guthrum me contou que já faz sete meses que ele desapareceu.
Belinda: Onze luas - Belinda corrigiu-o, fechando os dedos grossos ao redor do punho da espada. Christopher refletiu que, se ela fosse um homem, aquele gesto o teria colocado de sobreaviso, e, se ele fosse menos que um vicking, com certeza se consideraria insultado. - É muito tempo, lorde Christopher. Já desisti de tornar a ver Derrick Jorgensson vivo.
Chris: Em seu lugar eu não desistiria tão cedo. - Ele ergueu a mão, convidando-a a sentar-se, mas Belinda ignorou a invitação, permanecendo de pé. - Você é esposa de um dinamarquês, já devia saber que seu marido pode estar em pleno oceano. Quem sabe, neste momento Derrick encontra-se num navio rumo ao norte, em busca de peles e jóias para presenteá-la. Onze luas não é tanto tempo assim. Eu mesmo já fiz viagens bem mais longas.
Belinda: Perdoe-me por lembrar-lhe, milorde, de que o Avon não tem saída para o mar.
Chris: Ah, mas, dependendo do calado, há navios que passam de um rio para o outro. Tanto o Severn quanto o Trent dão acesso ao mar.
Belinda: Nós estamos muito no interior, lorde Christopher, não seria fácil chegar ao oceano. Além disso, há represas no caminho que impedem a passagem. Não, meu Derrick não viajaria assim, sem nem sequer me avisar. Eu tenho certeza de que os druidas o mataram, ou aprisionaram em algum lugar perto do Lago Negro.
Chris: Nesse caso, por que não mandou uma patrulha para investigar?
Belinda: É impossível localizar esse lago, no coração da floresta de Arden. Os druidas o protegem com encantamentos poderosos, que fazem os intrusos andarem em círculos. E aquela maldita bruxa lançou feitiços para transformar meus guerreiros mais corajosos em loucos aterrorizados. Acredite, milorde, meu Derrick foi assassinado. Ninguém me convencerá do contrário.
Durante alguns instantes, Christopher meditou sobre o que acabara de ouvir.
Chris: Foi exatamente isso o que Guthrum me informou, mas ele salientou que não havia prova alguma para fundamentar essa acusação. Afinal, nem o corpo de Derrick foi encontrado.
Belinda: Eu não preciso de provas. - Ela enrijeceu a mandíbula. - Derrick desapareceu em primeiro de agosto do ano passado, na noite do grande sacrifício oferecido pelos druidas ao seu deus Lugh.
Chris: Interessante. Então, ainda existem druidas nestas ilhas? - ele comentou, divertido. - E eu que julguei que os romanos os tivessem eliminado com suas espadas!
Belinda: Pois sim! Esses selvagens vagueiam por aí, ocultos na floresta - Belinda resmungou, virando-se para contemplar o pátio através da porta aberta. As carroças, trenós e liteiras atravancavam toda a área cercada pela inadequada paliçada de madeira. Ouvira Christopher observar com um de seus homens que, em Constantinopla, onde passara sete anos como emissário de Guthrum, uma muralha como aquela serie incendiada apenas para demonstrar sua inutilidade. Pois que queimassem! Para ela, não faria a menor diferença.
Chris: Tem absoluta certeza da data em que Derrick sumiu? - insistiu ele. - Foi no dia de Lammas?
Expondo os dentes grandes e imaculadamente brancos, ela sorriu com desdém:
Belinda: Por que não teria certeza? Você não viveu aqui durante todos esses anos, como eu. Era primeiro de agosto, a festa de Lughnasa. A noite em que os druidas sacrificaram um homem ao seus deuses dos lagos e dos rios.
Chris: É verdade, fazia muito tempo que eu não vinha a Uckermann, lady Belinda - Christopher concordou com tranqüilidade -, mas lembro-me muito bem do povo. Em sua maioria, constitui-se de fazendeiros simples e pacíficos.
A sobrinha bufou.
Belinda: Simples e pacíficos? Canibais é que eles são! Queimam pessoas em suas fogueiras de Beltane. Chacinam crianças e enterram-lhes os ossos debaixo de suas casas!
Chris: São tão incivilizados assim? - O vice-rei ergueu uma sobrancelha. - Que curiosa semelhança com a nossa gente. Os vickings deixam os recém-nascidos expostos às intempéries em sua primeira noite de vida. Pelos padrões bizantinos e romanos somos todos bárbaros. Não somos?
A esposa de Derrick lançou-lhe um olhar enfurecido, considerando-o um preguiçoso, enfraquecido pela vida confortável da corte. Não teria nenhuma utilidade para uma mulher determinada a proteger a riqueza que acumulara.
Graças a Odin, Guthrum a avisara com antecedência da chegada do vice-rei. Quantas vezes desejara a morte dele!
Agora que o via pessoalmente pela primeira vez, algo lhe dizia que o “Lobo” de Uckermann não ficaria uma semana em seu castelo. No mais tardar em dez dias, ele se retiraria para Anglia.
Mudando o tema da conversa, perguntou-lhe com falsa solicitude:
Belinda: Nosso vinho não lhe agradou?
Christopher, porém, não mordeu a isca.
Chris: Não encontrei vinhedos em seus campos áridos.
Belinda: É muito observador, lorde Christopher. - O tom de Belinda se modificara sutilmente, e ela sorriu ao acrescentar: - A abadia de Crowland foi construída sem levar em consideração a fertilidade do solo. O mesmo se pode dizer da abadia de Evesham. Mesmo assim, os monges conseguiram fabricar bons vinhos, suas adegas são excelentes. Bom seria se pudéssemos enviá-los para o inferno de que tanto falam e cuidássemos nós mesmos da produção de vinho.
Sem se abalar com a maldade da resposta, ele sorveu mais um gole da intragável bebida e voltou à carga:
Chris: Quem você acha que matou meu sobrinho?
Mais uma vez, os dedos de Belinda agarraram o punho da espada.
Belinda: Tegwin, o druida - afirmou, empertigando-se como se rejeitasse a autoridade do vice-rei sobre ela.
Christopher desistiu do vinho e empurrou a taça para o lado.
Chris: O que aconteceu com a adega que mandei meu sobrinho construir? Eu trouxe um bom estoque, mas este calor infernal estragará todos os barris, se não os guardar adequadamente.
Belinda esforçou-se para controlar o próprio mau gênio. Desviou o olhar para os campos, que, segundo acreditava, demonstrava os méritos de seu trabalho. Aquele horroroso castelo de pedra que Christopher tanto prezava não tinha, na realidade, a menor importância. As terras férteis arrancadas das mãos dos preguiçosos leamurianos constituíam o verdadeiro tesouro de Uckermann.
Belinda: Eu alterei alguns dos seus planos, milorde. Devido à inclinação do terreno, foi preciso transferir alguns dos compartimentos para outros lugares. Agora que já mitigou a sede, não quer dar uma volta para verificar tudo?
Chris: Mas é claro - ele assentiu, ansioso por inspecionar cada centímetro de sua propriedade.
O edifício de pedra resultara primitivo e rude, em sua concepção. Contudo, era natural que assim pensasse, acostumado como estava com os esplendores de Constantinopla, a mais preciosa das cidades, fervilhando de artesãos, filósofos e estudiosos.
Não duvidava que, com o tempo, promoveria as mudanças imprescindíveis para tornar o castelo mais bonito e confortável. Afinal, aquele seria o seu lar. Já cansara de perambular pelo mundo, cumprindo as ordens de seu irmão, o rei Guthrun. Agora, com vinte e nove anos, pretendia estabelecer a própria corte e fazer de Uckermann um centro de estudos que rivalizaria com Bizâncio.
O prédio quadrado de dois andares era só o começo do que sonhara construir.
Sem ocultar a satisfação, Belinda levou-o para conhecer a ala onde se instalara. O telhado era recoberto de sapé. Os aposentos tinham pé-direito alto, de modo que a fumaça do fogão e da lareira não impregnava os ambientes. A câmara maior era usada como salão para festas e refeições.
Belinda: Acostumei-me a cear aqui, milorde. Contudo, se minha presença for requerida no salão principal, não hesitarei em mudar meus hábitos.
Chris: Isso não será necessário - o vice-rei replicou com secura.
Olhando ao redor, viu muitos escravos ocupados em suas tarefas. As mulheres assavam pão e grandes pedaços de carne, que chiavam sobre as labaredas dos fogões. Christopher, como a maioria dos vickings, crescera num lugar parecido com aquele. As fazendas eram a espinha dorsal da economia e da cultura de seu povo. O alojamento de Belinda não se mostrava diferente de uma centena de outros que visitara em suas viagens.
Contudo, preferia os palácios que conhecera em Roma e Alexandria. Que jardins maravilhosos! Havia beleza por toda a parte para onde se olhasse. Era assim que Uckermann viria a ser.
Despertando de seus devaneios, voltou a atenção para a sobrinha, que marchava com um rigor militar.
Chris: Que peça curiosa - comentou, tocando o cabo de osso trabalhado da adaga de Belinda. - Quem a fez?
O interesse que demonstrou pela faca, de que ela tanto se orgulhava, provocou-lhe um sorriso genuíno, o primeiro que via no rosto da sobrinha.
Belinda: Falkirk, meu escultor. É um mestre na arte de entalhar osso e marfim. Esta aqui é a imagem da deusa Freya caçando um javali.
Chris: Um trabalho ambicioso - Christopher aprovou, avaliando o peso e o equilíbrio da lâmina. - Excelente arma. Mas espero que você não tenha de lutar para se defender.
Belinda: Hum! - Belinda bufou. - São poucos os que ousam desafiar-me.
Chris: Foi o que ouvi - ele replicou, estendendo-lhe a espada para que ela examinasse. - A minha é mais modesta, embora mortífera. E isso é o mais importante, quando se trata de armas, não acha? De qualquer forma, aconselho-a a manter a adaga sempre na bainha. É melhor.
Com essa crítica, o vice-rei caminhou até o poço e mergulhou a mão para apanhar um pouco de água. O calor deixava-o sedento.
Guilhermo, capitão de Belinda, apressou-se a jogar o balde para arranjar mais água fresca. De súbito, o homem soltou um grito. Diante de seus olhos, o nível descera mais três metros.
O brado de alarme de Guilhermo atraiu todos os que estavam no pátio. A pequena multidão contemplou o poço e testemunhou o fenômeno. Depois que o nível tornou a cair, a água agitou-se, enchendo-se de espuma e exalando um odor fétido.
Guilhermo: O poço foi envenenado! - Guilhermo exclamou, jogando o balde longe.
Christopher recuou, enojado com o cheiro de enxofre. Entretanto, pouco antes ele bebera uma água pura e doce.
Belinda correu para o lado dele e colocou a mão no líquido turvo. Medo e desconfiança obscureceram-lhe o semblante.
Belinda: Isto é uma maldição! - anunciou. - A bruxa lançou outro feitiço em nós! - Furiosa, virou-se para seu capitão. - Guilhermo, traga-me aquela mulher! Dobre o número de homens da patrulha. Encontre-a antes que nos cause males ainda piores. Ela pagará caro por isto!
Guilhermo: Conforme ordena, milady - o guerreiro curvou-se.
Todavia, antes que ele pudesse reunir seus soldados, Christopher interveio:
Chris: Não há necessidade de enviar patrulha alguma.
Guilhermo: Mas...
Chris: Mantenha seus homens aqui, realizando as tarefas costumeiras - o vice-rei comandou, assumindo o controle e a defesa de sua propriedade. - Não podemos agir baseados em hipóteses absurdas. Minha sobrinha se excedeu, o nervosismo a fez esquecer que sou eu quem dá as ordens aqui. Meus homens cuidarão de proteger a fortaleza, quando for o caso. Fui claro, Belinda Garganta de Prata?
Tanto Belinda quanto seu capitão ficaram atordoados com a contra-ordem do vice-rei. Após um longo e tenso instante de silêncio, ela ripostou:
Belinda: Caro milorde, você não conhece a situação, nem faz idéia do que ocorre aqui.
Chris: Sei o bastante para perceber que os poços secam durante uma seca e que, quando isso acontece, a água pode estragar-se. O fenômeno é obra da natureza, prezada sobrinha, não de bruxaria. Agora mande seus homens de volta ao trabalho.
Belinda: Vocês ouviram o vice-rei. Mexam-se! - ela bradou a contragosto.
Christopher observou-lhes os semblantes assustados e questionou o que os amedrontaria mais, a rigidez de Belinda ou as próprias crendices supersticiosas.
Quanto a ele, não acreditava em nada daquela tolice. Bruxas, feitiços, pura bobagem. Contendo um sorriso zombeteiro, voltou-se para ouvir o recado que lady Maite mandara um criado transmitir. O poço interno também não apresentava condições de uso. O que significava que a água da casa de banho também estava imprestável.
Chris: Rig, teremos de cavar um canal por baixo da paliçada para trazer a água do rio até aqui - Christopher disse ao seu homem de confiança, que balançou a cabeça e comentou.
Rig: Esse povo é muito crédulo, milorde.
Olhando de esguelha para a sobrinha que se afastava, ele replicou:
Chris: Aye. Mas talvez, com o tempo, possamos educá-lo.
CONTINUA...


Comentários: (1)
sucessos !:)
mi adiciona ?