It's enough.
Duas garrafas, um copo e uma noite inteira. São 21:44 e me atrevo, isso mesmo, me atrevo a pensar em você nesse minuto. Prometo pra mim mesma e logo em seguida faço uma aposta, mentalmente, que só vou pensar em você até as 22:00 e depois, juro! Vou tentar encher a cabeça com tantas outras que estão aqui na minha frente meio que me observando, meio que tentando entender porque nenhuma delas está me chamando atenção. Venho, mediante esse bilhete, que sei que vai ficar grande demais pra ser designado dessa forma, dizer que eu amo você, assim, desse jeito simples de dizer essas três palavras. Do jeito simples que não nos pertence, mas que só por hoje estou incorporando a maneira simples de dizer isso. Já são 21:56, exatos quatro minutos do prazo que eu mesma estipulei pra você na minha vida essa noite. E preciso terminar isso aqui antes disso. Você sabe, nunca perco uma aposta. Queria dizer que detesto aquela sua tatuagem no canto da barriga, acho ela comum demais... mas adoro aquela no seu antebraço. Queria dizer ainda que detesto o modo como você some... mas que adoro quando você volta. Você torna a minha vida meio doce, meio amarga e eu detesto o modo como você pode mudar isso. É difícil aceitar que você pode mudar as coisas quando na verdade quem quer fazer isso sou eu. Você não sabe mais já sinto isso há quase quatro anos e lutei contra isso durante quase três. Aceitei toda essa carga de sentimento tem pouco tempo. Pouquíssimo tempo que me olho no espelho e digo "É, não tem jeito. Ela é quem você ama." Enquanto observo algumas pessoas passando pela minha frente, tomo um gole de uma mistura que eu mesmo inventei e que você provavelmente não faz muita questão de saber. Dois goles. Três goles. Sucessivamente até sentir que posso não te amar. As pessoas me chamam e eu digo que preciso terminar algo. Mal sabem elas que estou tentando terminar algo que dura quase quatro anos. Sabemos que quando você ler esse meu "bilhete" tudo continuará da mesma maneira. Meu subconsciente teima em dizer que é porque temos medo. "Bom, estou abdicando meu posto de medrosa e gostaria que você também abdicasse o seu." Mas isso é só meu subconsciente. Eu mesma acho que estou tendo meio que um amor platônico e que tenho que a partir de agora por um fim nisso. E depois dessa carta, meio romântica, meio de despedida espero que você ainda se lembre de algo que a gente deve ter deixado guardado porque era gostoso lembrar. Terminei uma garrafa. Mas calma aí, ainda não terminei com você. Alguém me perguntou um dia, por essa vida um tanto quanto dolorosa “mas como foi que isso tudo começou?” e eu meio que não soube responder. Sempre tivemos tudo pra nos odiar e fizemos isso a maior parte do tempo. Somos instáveis. Somos imprevisíveis. Somos iguais. Começo a segunda garrafa e pode não parecer mas estou tentando por um fim nisso. Antes de por um fim, vou dizer uma coisa que eu nunca me atrevi a dizer de uma forma tão direta: Estou aqui. Esperando você. Esperando, quem sabe, você abdicar seu posto de medrosa e finalmente viver essa história comigo. Você topa?... Bem no começo do meu texto meio sem pé nem cabeça eu disse que nunca perdia uma aposta. Recentemente apostei comigo mesma que conseguiria esquecer o que eu sentia. Assim, sem deixar de falar com você, sem deixar de sentir falta. Consegui isso durante uns dois dias. Essa foi a primeira aposta que eu perdi. São 22:30. Acabo de perder a segunda.
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